Quarta-feira cinza? Acho que não! #ParabénsCharlene

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“Era uma quarta-feira chuvosa, aquele dia que fica bem no meio da semana, que não ata e nem desata, tudo cinza, frio… Só que não por muito tempo!

Justamente nesse dia, que não era nem perto da segunda e nem longe da sexta, três palhaças super coloridas foram dar o ar da graça pelos andares do Hospital São Camilo: Aurora, Charlene e Mafalda.

Essas três palhaças, cheias de desenvoltura e afinadíssimas, tinham uma missão: cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno apreeeeeeeeeeeeeendiz… Digo, cantar e mostrar para o mundo suas vozes! E lá foram elas pelos corredores, com seus pequenos chocalhos e arriscando algumas letras, algumas rimase algumas músicas. Nesse dia, estavam super requisitadas nos quartos, mais requisitadas que “Sandy&Junior” em karaokê, mais requisitadas que “É o Tchan!” nos anos 90 e mais do que “Simone e Simaria” em balada sertaneja. É tudo verdade, eu juro!

Ao sair do quarto em que cantavam lindamente, uma enfermeira veio animada e disse:

- Ei,  passem lá na Dona Isabel*, ela quer ver vocês!

Animadas, Aurora, Charlene e Mafalda se prontificaram a ir conhecer a Dona Isabel e, olha só quanta receptividade, a porta já estava até aberta! Elas foram entrando e ao chegar perto da cama,  viram uma linda senhora deitada. Deu pra sentir o momento exato que esses quatro olhares de encontraram e se misturaram dentro daquele quarto apagado. Uma luz interna, dentro das palhaçada, se acendeu.

Prontamente, seu acompanhante nos disse:

- Desculpa, ela não pode falar.
– Tudo bem! A gente também não fala direito… Podemos cantar?

Nessa hora, Dona Isabel se voltou para nossa direção e disse, sem dizer uma palavra, apenas com contorno dos lábios: Pode. Não saiu nenhum som, mas muitas coisas foram ditas. As três, então, se juntaram e decidiram cantar “Minha sábia”.

“Minha Sabiá, minha zabelê,

Toda meia noite eu sonho com você

Se você dúvida eu vou sonhar pra você ver.”

E, então, a Dona Isabel nos apladiu. Feliz da vida seu acompanhante diz:

- Nossa, olha! Ela está aplaudindo, ela gostou! Ela não consegue mexer muito bem o braço esquerdo, mas está tentando para aplaudir vocês!

Ela nos olha e desenha um “Muito obrigada”, que acende todas as luzes internas possíveis dentro das três. Em retribuição: mais uma música! Que tal “Marinheiro Só”?

“Ô marinheiro, ô marinheiro (marinheiro só)

Quem te ensinou a nada (marinheiro só)

Ou foi o tombo do navio (marinheiro só)

Ou foi o balanço do mar (marinheiro só)”

E eis que, o que já estava bom, ficou ainda melhor! Foi possível assistir as luzes do olhar da Dona Isabel acendendo e, nesse momento, seu acompanhante diz:

- O neto dela canta essa música sempre pra ela… Ela ama!

E o sorriso? Que sorriso! Mais palmas, mais desenhos de obrigada, mais olhares atentos e mais vontade de estar ali. Lindo de se ver, de se viver.

Assim elas se despedem, cantando, sorrindo. Felicidade. Marinheiro só. Tchau Dona
Isabel, foi um prazer! Marinheiro só. Presentes que ganhamos, presente que deixamos, palavras que são ditas no silêncio de um olhar.

Quarta-feira cinza? Onde? Sumiu, ninguém viu! Eu não vi, e você? Viu?”

 

História contado por: Camila Demare
Vivenciada por: Charlene, Mafalda e Aurora.

 

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*nome fictício

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