O quarto com varanda | Parabéns Maliova

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“Após um loooongo corredor do 6º andar, Maliova, Anana, Antonieta e Maya encontram enfim o meio do corredor, onde enfermeiras e médicas estavam aglomeradas discutindo casos, colocando tudo em dia.

Enquanto Antonieta pergunta quais quartos poderiam ser visitados, Maliova já ativou seu senso-cão espaçoso, já sentou ao lado da enfermeira Carol Trentin (pois é.. e a gente achava que ela trabalhava só como modelo, mas disse que para modelar coloca um “i” no final do sobrenome, fica mais moderno).

Então, Antonieta a chama dizendo que foram convocadas para o quarto de dona Vanda*, o quarto com varanda.

No caminho até o quarto 645, Maliova perguntava igual uma desembestada:

- Como assim? Varanda? Em um quarto de hospital? É uma varanda mesmo? Ou é uma janelinha? 92m²? Mas nem minha casa tem isso tudo! Meu Deus! Vou morar aqui. Amanhã trago tudo! Não preciso do quarto, só quero a varanda. Tem certeza? Uma varanda? Em um quarto de hospital?

Porta do quarto 645.

É agora.

Antonieta toca gentilmente na porta.

Abre sorrateiramente.

- Oi.

Um sorriso se abre pra Antonieta.

- Podemos entrar? 4 mini-pessoas? Pode? 4. Isso.

Antonieta era a rainha de leitura labial e comunicação com mímica.

Enfim, entramos. Maliova só tem olhos para a varanda.

Dá um oi gentil, mas muito rápido, afinal foi ensinada a ser educada, mas não desvia os olhos da varanda.

E que varanda.

Uma varanda com mesa e cadeiras, com vista para uma fabulosa mangueira. Uma senhora majestosa mangueira, daquele que Maliova só se lembra de ter visto na casa de seus avós em Minas Gerais.

Maliova se sente acalentada por dentro e então, volta a conversar com dona Vanda e sua filha. Maya e Antonieta a perguntavam sobre como era ter esse privilégio de um quarto com varanda… Anana ainda estava petrificada e encantada com a mangueira.

Conversa vai, conversa vem. Perguntamos o que dona Vanda gosta de comer.

- Camarão!

Como sua dieta era restrita ali, afinal de contas ela deveria ter algo a menos para ter um quarto com varanda, Maliova prontamente tira uma cartela de etiquetas e diz:

- A senhora é a mais sortuda do andar! Tem quarto com varanda com vista para uma majestosa mangueira e agora, veja só… –  Maliova escreve em uma etiqueta, prega-a no frasco da dieta endovenosa – Camarão líquido! A senhora tem privilégio de ser a primeira paciente a receber camarão na veia! Isso é memorável dona Vanda!

Alguém pergunta sobre o que ela gosta de comer de sobremesa. A resposta não poderia ser mais clara: manga!

Mais uma etiqueta é escrita e colada: manga.

Dona Vanda é o que há de melhor no sexto andar: vista para uma bela mangueira em sua varanda com camarão e manga endovenosos.”


 

História contada por: Daniela Tibiriçá (Maliova);

Vivenciada por: Maliova, Antonieta, Maya e Anana Morena. 

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*nome fictício

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