O DJ do 5º andar | Parabéns Mafalda

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“Após saírem do camarim, Mafalda, Antonella e Tita foram direto para a salinha da Psicossocial do Hospital São Camilo, saber se tinha algum quarto que as esperavam muito. Depois de muito papo, a funcionária sugeriu uns quartos e dentre eles, estava o do Bruno*.

  – Meninas, ele precisa muito disso! Veio para cá depois do diagnóstico de HIV, para tratamento, e nessas coisas de exame, descobriu câncer também. É uma pessoa que está sem perspectiva de vida, só fala em morte, mas em contrapartida, quer lutar por isso.

Após as indicações, seguiram seus rumos hospital adentro. Chegaram no quinto andar e bateram na porta do quarto quinhentos e alguma coisa e ao abrirem a porta, se depararam com um ambiente de bem pouca luz e uma música dançante. Ao entrarem, deram de cara com um moço bem magrinho, deitado de lado na cama, com vários soros via acesso e um celular logado no Youtube com algum clipe passando.

O paciente, ao avistar as palhaças, logo pausou o ritmo dançante, mas não era bem isso que as palhaças queriam…Elas queriam que continuasse mesmo, queriam mais é dançar! E foi então que soltaram:

  – Não! Não precisa pausar não! Vamos dançar! Gostamos dessa batida!

Bruno, o paciente, clicou e voltou com a canção. Depois de já terem feito uma ótima performance, Mafalda sugeriu:

  – Coloca outra aí! Vai, você é o DJ, coloca sua playlist aí que vamos coreografar todas!

E assim se abria o sorriso na cara daquele moço, que nessa hora, Mafalda, Tita e Antonella nem lembravam mais que era o tenso quarto do diagnóstico HIV+câncer. Era um homem feliz, preocupado apenas com sua nova profissão: DJ.

A cada nova música tocada, uma palhaça era eleita pra ser a dona do ritmo, assim, ensinando as outras. Antonella estava curiosa pra saber se Bruno estava realmente gostando dos números e também da coregrafia de cada uma, então pediu nota de 0 a 10, onde o paciente deu 8 para ela e Tita e 9 para Mafalda.

  – Porque 9 só para a Mafalda? – falou Antonella, indignada.

  – Ué, gente, aceita, olha essa performance aqui, maravilhosa! – disse Mafalda, se gabando pela conquista.

Antonella e Tita ficaram inconformadas e queriam explicação, mas Bruno não sabia explicar, só pontuou.

Depois de muitas danças, inúmeros ritmos diferentes, suadeira e aquecimento corporal, o paciente só conseguia sorrir e dizer:

  – Obrigado por terem vindo aqui, muito obrigado! Vocês mudaram o meu dia… Eu estava aqui, muito triste e precisando de algo que me alegrasse, obrigado por terem vindo!

Ah, que mensagem maravilhosa! As três palhaças que tinham mais é que agradecer pela diversão e conhecimento de diversos tipos de música que Bruno proporcionou, além das calorias queimadas, claro.

A despedida veio vindo, já que as meninas tinham que descansar um pouco, afinal, dançar música do mundo inteiro requer muita energia! Bruno se despediu com um sorrisão e mais agradecimentos, deixando claro sua felicidade em ter aquele momento onde pudesse esquecer, por alguns instantes, todo esse tormento que passara em sua vida.”


 

História contada por: Mayara Emanuelle (Mafalda);

Vivenciada por: Mafalda, Antonella e Tita.

 

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*nome fictício

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