Charlotte é chique, Joaquim nem tanto | Parabéns Charlotte

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“Charlotte e Joaquim bateram na porta de um quarto do Hospital São Luiz  e não sabiam o que havia do outro lado da tal porta. Mas sabiam o seguinte: ‘É necessário entrar chique,  seja lá o que signifique ser chique a um palhaço’.

  Charlotte é, com certeza, uma palhaça preocupada com estes conflitos estéticos e o Joaquim, coitado, fica no meio disso tudo como um bom parceiro: pacientemente. Ou seja, a Charlotte era o ‘é necessário entrar chique’ e o Joaquim era ‘seja lá o que isso significa’.

 Assim que a palhaça girou a maçaneta – de maneira chique, é claro -, outro ambiente foi  acessado: o quarto do Diego*.  Charlotte logo falou um “Olá” para o menino e também para os pais dele. Entretanto, depois de dois segundos, entrou em seu conflito estético e repreendeu Joaquim:

   – Joaquim, não entre de qualquer jeito no quarto, tem que ser de maneira chique! – disse ela.

    Como um bom parceiro, Joaquim atendeu ao pedido estético e histérico de Charlotte e entrou da maneira que ele acreditava ser ‘chique”‘ É nesse momento que podemos dizer: ‘Coitados dos pais e do Diego!’.

O entrar ‘chique’ do Joaquim podia ser, facilmente, confundido com um flamingo tendo uma convulsão. Charlotte quase teve um ataque histérico, pois a entrada fora um desastre. A expressão facial do Diego dizia ‘Meu Deus, por que eu fui deixar esses seres entrarem no meu quarto?’.

Diante dessa tragédia, Charlotte fez uma expressão de desgosto e falou ao palhaço:

 – Seria bom se o o senhor tentasse de novo, porque acho que isso que você fez não é nada chique.

 Joaquim ficou chocado, mas, pacientemente, deu meia volta e tentou entrar da tal ‘maneira chique’. E, de novo, foi uma lástima… De flamingo com convulsão passou a parecer um T-Rex que imaginava ser um atleta.

O palhaço entrou e saiu por aquela porta umas 5 vezes e absolutamente nenhuma das vezes houve sucesso. O menino Diego só conseguia rir da tragédia chique de Joaquim. Charlotte tentou dar dicas de como mexer a perna e os braços para ver algo melhorava ali. Diego e seus pais concordavam com as dicas, mas, no fundo, sabiam que estavam diante de um Top Model de fracasso.

Charlotte revoltada com a falta de jeito do parceiro, resolveu demonstrar o que é, de fato, ser chique.  É bom lembrar que a palhaça, além de possuir conflitos estéticos, possui experiência com tapetes vermelhos, ou seja, com a fama e o requinte, porque ela tem simplesmente um tapete vermelho como peça única do seu figurino. Visto isso, ela precisou entrar apenas uma vez para que os olhos de Diego e seus pais fossem acariciados pelo o seu andar balançante que fazia os cachos vermelhos do seu cabelo pularem e seu tapete dançar a cada passo dado.

  Claro e obviamente que foi um sucesso a entrada da palhaça, mas o Joaquim não aceitou tamanha afronta e resolveu perguntar ao paciente quem  havia desfilado de maneira mais magnífica. Diego, muito educado, ficou em um silêncio quase que constrangedor, o qual já anunciava uma uma resposta óbvia. Porém, depois de alguns segundos, o menino lançou um olhar de ‘Desculpa, Joaquim” e apontou para a Charlotte.

Essa lançou um olhar de vitória para o parceiro e disse:

 – Tá vendo, isso é ser chique. Mas, já que você não sabe dar um ‘oi’ chique, porque você não tenta uma despedida chique?

Joaquim concordou com Charlotte e Diego e seus pais esboçaram sorrisos, provavelmente pensando que Charlotte é otimista mesmo.

O palhaço ficou tão empenhado em fazer um “Tchau Chique” que fez todo um preparo físico com as pernas, braços, bunda pescoço, ponta do nariz e dedinhos do pés, para que todo o seu  mostrasse o requinte de uma vida de puro esplendor. Diego ria até do ritual físico de Joaquim, pois até nisso o fracasso era evidente.

Quando o grande momento do desfile de despedida chegou, Charlotte até estendeu seu tapete vermelho no chão para ajudar a desenvoltura de Joaquim… Maaaaasssssss….

Como sabemos – e Diego e seus pais também – , Joaquim demonstrou corporalmente o  sofrimento de uma aranha quando alguém ‘taca’ spray de veneno sobre ela.

Moral da história: A vida é difícil, mas difícil mesmo é ser chique.”


 
História contada por: Giovanna Galle (Charlotte);
Vivenciada por: Charlotte e Joaquim.
 

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*nome fictício

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